Resenha: O lado mais sombrio - A. G. Howard

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Título: O Lado Mais Sombrio
Autor: A. G. Howard
Editora: Novo Conceito
Ano: 2014
Páginas: 368
Saiba mais: SkoobAmericanasSubmarino

Sinopse: Alyssa Gardner tem uma vida conturbada, ela ouve vozes de insetos e flores. A garota mora apenas com o pai pois a mãe foi internada e considerada insana e instável, e alegava ouvir as mesmas vozes que Alyssa sabe que são verdadeiras. Em uma das visitas, ela descobre que cada dia sua mãe pior, e que o pai havia concordado com o médico em aplicar um tratamento de choque, o que não apenas poderia transformar sua mãe em outra pessoa, como também poderia matá-la. Para impedir isso, Alyssa terá que mergulhar no obscuro mundo do País das Maravilhas e consertar os erros que a verdadeira Alice deixou pra trás, dessa forma quebraria a maldição sobre sua família. Mas a verdade é que o País das Maravilhas foi totalmente distorcido por Lewis Carrol, e Alyssa vai descobrir um lado sombrio do conto de fadas.



Quase todo mundo já ouviu a história de Alice no País das Maravilhas, não é? A protagonista desse livro, mais ainda, porque é a tataraneta da Alice Lidell que inspirou Lewis Carroll a escrever o livro. E Alyssa tem um não-tão-pequeno problema: ela está ficando louca como a mãe, que está em um sanatório já faz anos. 

Alyssa é uma adolescente não muito normal, que anda de skate e faz murais com insetos mortos - é a unica forma de ela fazer eles pararem de falar com ela. Ela é apaixonada pelo melhor amigo, Jeb, que namora justamente com a menina que ela mais odeia. Até aí, tudo bem. Quase exatamente aquele clichê juvenil que todo mundo já viu várias vezes por aí. Mas Alyssa não está ficando louca - os insetos realmente falam com ela, o País das Maravilhas é real, e ela acaba levando Jeb com ela para lá. E aí começou uma das coisas que mais gostei do livro: a forma como o País das Maravilhas é retratado. Ele não é o mesmo do livro de Lewis Carroll, é mais sombrio, muuuuuuito mais sombrio.

Coleciono insetos desde os dez anos de idade: foi o único jeito que encontrei de silenciar seus sussurros. Espetar um alfinete em sua barriga os silencia rapidamente. 

A versão do livro é realmente a versão infantil, e Alyssa vai descobrindo que sabe mais sobre aquele lugar do que acha que deveria. No País das Maravilhas, ela vai conhecer Morfeu, que vai tentar ajudá-la a quebrar a maldição da loucura que está na família dela. E, para fazer isso, ela precisa corrigir os erros da sua antepassada. 

A partir daí temos aquele quase inevitável triângulo amoroso dos livros YA. Jeb é o típico mocinho superprotetor que a maioria das meninas ama mas que eu odeio com todas as minhas forças. Sabe aquela necessidade de proteger a mina de tudo? Pois é. Ele sempre tem que pular na frente da Alyssa, sempre tem que tentar fazer tudo por ela. É fofo tentar ajudar, tentar proteger, ok. Mas não o tempo todo, poxa. A menina não é feita de porcelana. 

Estou começando a apreciar a loucura. Isso não é bom. Não mesmo.

Morfeu é tão louco quanto o País das Maravilhas - e tão filho da mãe quanto. É o tipo de personagem que você não sabe se pode confiar e nem quer confiar, e que não pega leve com a protagonista. E eu vou parar de resumir a história por aqui antes da chuva de spoilers começar. 

O lado mais sombrio é um livro que foi construído em cima de clichês que todos nós já conhecemos, e que alguns (tipo eu) podem odiar com todas as forças. Mas gostei da forma como esses clichês foram trabalhados para ser só a fundação da história, e como o mundo da autora toma forma. É um País das Maravilhas novo, sombrio, psicodélico, e são muitas coisas acontecendo o tempo todo. 

E aqui estou eu, a união de tudo isso. A luz e a escuridão ao mesmo tempo. Caso eu cedesse a um de meus lados, será que eu teria que abdicar do outro? Meu coração dói ao pensar nisso. De alguma maneira, sinto que preciso dos dois para estar completa.

Tive vontade de esganar a protagonista umas tantas vezes ao longo do livro, mas é raro eu topar com alguma protagonista que não faz eu querer fazer isso. E até mesmo o triângulo amoroso deixou de ser só o clichê - ele é uma representação dos dois lados da Alyssa, o lado humano e o lado intraterreno. E você passa o livro todo pensando se o que está acontecendo realmente é o que parece, ou se tem mais alguma coisa ali, se Alyssa não está sendo ainda mais manipulada. 

Apesar dos pontos que me incomodaram, é um livro que me prendeu bastante (apesar de eu só ter realmente me interessado quando vi a sinopse do livro 3). Mas, se você quer ler e também não tem muita paciência para dramas adolescentes e triângulos amorosos, pegue em um dia que estiver se sentindo bem paciente.

Foi isso, espero que tenham gostado. :D 


4 comentários:

  1. Oie! Gostei da resenha. Eu sempre adorei a capa deste livro, mas tinha medo de ser muito adolescente. Sua resenha me tirou a dúvida rs

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  2. Oie! Gostei da resenha. Eu sempre adorei a capa deste livro, mas tinha medo de ser muito adolescente. Sua resenha me tirou a dúvida rs

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  3. Olá!

    Achei a premissa do livro super criativa e não tinha conhecimento que a protagonista havia inspirado Caroll. Vou anotar!

    Abraços, Heitor Botti
    shakedepalavras.blogspot.com

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  4. Oii Yasmin

    Sou super fã de retellings, desde Cinder fico impressionada com a criatividade dos autores na hora de recriar os clássicos da nossa infancia. Quero muito conferir essa trilogia, acho as capas tão lindas e só escuto elogios sobre a história. Aliás, essa autora publicou um livro inspirado no Fantasma da Ópera, já viu a capa que linda? Espero que puliquem em português logo.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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